O texto abaixo é um fichamento que apresenta as ideias principais
do texto "Sala de aula interativa a educação presencial e a distância em
sintonia com a era digital e com a cidadania" de Marco
Silva, o qual fala sobre a interatividade, cibercultura, hipertexto, era
digital, dificuldade dos professores em lhe darem com essa nova era e a
importância da participação ativa do aluno no processo comunicacional e de
construção do conhecimento nessa nova era digital.
“Vivemos a transição do modo de comunicação massivo
para o interativo. Um processo em curso de reconfiguração das comunicações
humanas em toda sua amplitude.”
“A disposição interativa permite ao usuário ser ator
e autor fazendo da comunicação não apenas o trabalho da emissão, mas co-criação
da própria mensagem e da comunicação. Permite a participação entendida como troca
de ações, controle sobre acontecimentos e modificação de conteúdos.”
“[...] a interatividade permite ultrapassar a
condição de espectador passivo para a condição de sujeito operativo.”
“Os games mais avançados permitem uma variedade de
decisões que o jogador pode tomar ao longo da trama. [...] No cinema digital o
público poderá sair da passividade e participar da história controlando
personagens, desfechos e até criando a trilha sonora do filme.”
“Seja lá o nome que se dê, era digital,
cibercultura, sociedade de informação ou sociedade em rede, o fato é que em
nosso tempo a interatividade é desafio não só para os gestores da velha mídia,
mas para todos os agentes do processo de comunicação.”
“A inquietação é visível entre empresários e
programadores de tv quando os mais antenados anunciam que daqui a dez anos vai
parecer absurdo ter um aparelho de tv em casa pelo qual não se possa enviar
nada, apenas receber. [...]E, de imediato, procuram desenvolver alternativas
interativas em seus programas para enfrentar a concorrência da internet e
atender o novo espectador.”
“Eles percebem que um programa interativo na tv deve
permitir que os telespectadores definam o rumo que ele toma, que a passividade
da tv significa perda progressiva de audiência, e que o espectador tende a
permanecer ligado ou conectado se puder participar da programação.”
“A inquietação dos empresários e programadores de tv
diante da interatividade não encontra eco na escola e nos sistemas de ensino. É
preciso despertar o interesse dos professores para uma nova comunicação com os
alunos em sala de aula presencial e virtual.”
“Muitos educadores já perceberam que a educação
autêntica não se faz sem a participação genuína do aluno, [...]. No entanto,
esta premissa ainda não mobilizou o professor diante da urgência de modificar o
modelo comunicacional baseado no falar-ditar do mestre que se mantém
inarredável na era digital.”
“[...]seja na sala de aula “inforrica” (equipada com
computadores ligados à Internet), seja no site de educação à distância, seja na
“telessala”, seja na sala de aula
“infopobre”, é preciso ir além da percepção de que o conhecimento não
está mais centrado na emissão.”
“Em nossos dias, mesmo ganhando maturidade teórica e
técnica com o desenvolvimento da internet e dos games, o significado do
termo também sofre sua banalização quando usado como “argumento de venda” ou
ideologia publicitária em detrimento do prometido mais comunicacional.”
“No caso dos softwares ditos interativos, muitas
vezes não passam de estruturas arborescentes, fechadas e seqüenciais que
reproduz a mesma estrutura do livro. Quanto aos programas de tv que se divulgam
como interativos, o que se vê é leitura de e-mails “no ar”, [...] E quanto às
escolas e cursos via web (e-learning) que se autointitulam interativos,
o que se tem na verdade é a sala de aula aparelhada com computadores, internet,
tecnologia 3D (capacete com óculos e fone) servindo principalmente para
intensificar e modernizar o velho modelo da transmissão[...].”
“Hoje “o termo interatividade se presta às
utilizações mais desencontradas e estapafúrdias, abrangendo um campo semântico
dos mais vastos, que compreende desde salas de cinema em que as cadeiras se
movem até novelas de televisão em que os espectadores escolhem (por telefone) o
final da história.”
“Interatividade é um conceito de comunicação e não
de informática. Pode ser empregado para significar a comunicação entre
interlocutores humanos, entre humanos e máquinas e entre usuário e serviço.
[...].”
“[...] o computador se encontra diretamente associado
ao termo exatamente porque na sua memória imagens, sons e textos são
convertidos em bits de modo a sofrer qualquer tipo de manipulação e
interferência, sem degradação ou perda da informação.”
“Nesse caso se diz que o computador é
“conversacional” para diferencia-lo dos meios massivos unidirecionais,
exatamente porque permite o dialogo da emissão e recepção.”
“[...] Antes do computador conversacional é possível
encontrar a expressão mais depurada do termo na arte “participacionista” da
década de 1960, definida também como “obra aberta”. O que permite garantir que
interatividade não é uma novidade da era digital.”
“O “parangolé” do artista plástico carioca Hélio
Oiticica (1937-1980) é um exemplo maravilhoso de explicitação dos fundamentos
da interatividade. [...] Ele é pura proposição à participação ativa do
“espectador” – termo que se torna inadequado, obsoleto. [...]”
“O professor propõe o conhecimento. Não o transmite.
Não o oferece à distância para a recepção audiovisual ou “bancária”
(sedentária, passiva), como criticava o educador Paulo
Freire.”
“[...] O aluno não está mais reduzido a olhar,
ouvir, copiar e prestar contas. Ele cria, modifica, constrói, aumenta e, assim,
torna-se co-autor.”
“Uma pedagogia baseada nessa disposição à
co-autoria, à interatividade, requer a morte do professor narcisicamente
investido do poder. Expor sua opção crítica à intervenção, à modificação requer
humildade. [...]”
“[...] o professor propõe o conhecimento à maneira
do parangolé. Assim ele redimensiona a sua autoria: não mais a prevalência do
falar-ditar, da lógica da distribuição, mas a perspectiva da proposição
complexa do conhecimento à participação ativa dos alunos que já aprenderam com
o joystick do videogame e hoje aprendem com o mouse. [...]”
“Nos livros Pedagogia do oprimido, Educação
e mudança, e A importância do ato de ler, Paulo Freire faz críticas
à transmissão como sendo o modelo mais identificado como prática de
ensino e menos habilitado a educar.[...]”
“P. Freire não desenvolveu uma teoria da comunicação
que dê conta de sua crítica à transmissão. No entanto, deixou seu legado que
garante ao conceito de interatividade a exigência da participação daquele que
deixa o lugar da recepção para experimentar a cocriação.”
“Para promover a sala de aula interativa o professor
precisa desenvolver pelo menos cinco habilidades entre outras: 1. Pressupor a
participação-intervenção dos alunos, [...] 2. Garantir a bidirecionalidade da
emissão e recepção, [...] 3. Disponibilizar múltiplas redes articulatórias,
[...] 4. Engendrar a cooperação, sabendo que a comunicação e o conhecimento se constroem
entre alunos e professor como co-criação e não no trabalho solitário; [...] 5.
Suscitar a expressão e a confrontação das subjetividades, [...]”
“Estas são habilidades necessárias para o professor
aproveitar ao máximo o potencial das novas tecnologias em sala de aula. Contudo
não se destinam somente à sala de aula “inforrica”. Pois, uma vez que
interatividade é conceito de comunicação e não de informática, tais habilidades
são necessárias também para o professor que quer modificar sua postura
comunicacional na sala “infopobre”.”
“Ambos podem aprender com o parangolé e com o
computador. Quanto a este último, é preciso ter claro que ele vem potenciar e
não substituir o trabalho docente; é preciso saber operá-lo para não
subutilizar sua natureza interativa, hipertextual. [...]”
“O hipertexto é o novo paradigma tecnológico que
liberta o usuário da lógica unívoca da mídia de massa. Ele democratiza a
relação do usuário com a informação gerando um ambiente conversacional que não
se limita à lógica da distribuição.[...]”
“Assim a interatividade e o hipertexto convidam o
professor a considerar a necessidade de modificar a comunicação centrada na
emissão do professor contador de história inspirando-se para isso no designer
de software.”
“O professor contador de história é aquele que
centra a comunicação no seu falar-ditar disparando lições-padrão. É o emissor
que atrai o receptor para seu universo mental, para
seu
imaginário, para sua récita.”
“O professor contador de história terá dificuldade
de lidar e aprender com o hipertexto e com as tecnologias digitais. [...]
Aquele que migra da tela estática da tv para a tela do computador conectado à
internet; lida facilmente com o hipertexto, com o digital que define sua
experiência comunicacional [...]. Essa atitude menos passiva diante da mensagem
é sua exigência uma nova sala de aula, de uma nova postura comunicacional do
professor.”
“As salas podem ganhar equipamentos de realidade
virtual e carteiras equipadas com monitores que mostram o conteúdo apresentado
pelo professor; o aluno pode gravar o conteúdo em disquete e, caso tenha
faltado à aula, acessar o site da disciplina [...]. Ainda assim,
prevalecem a transmissão e a lógica da distribuição próprias da sala de aula
tradicional e da mídia de massa.”
“Então é preciso enfatizar: o essencial não é a
tecnologia, mas um novo estilo de pedagogia sustentado por uma modalidade
comunicacional que supõe interatividade, isto é, participação, cooperação,
bidirecionalidade e multiplicidade de conexões entre informações e atores
envolvidos. Mais do que nunca o professor está desafia do a modificar sua
comunicação em sala de aula e na educação. [...]”
Adriana Ribeiro Ferreira
Adriana Ribeiro Ferreira
Legal esse texto e super rico né Dri? Diante de todas essas contribuições vemos que a introdução das novas tecnologias nas instituições de ensino, tem se apresentado como facilitadora nas propostas contemporâneas de obtenção de aprendizagem, tornando as salas de aulas interativas. :)
ResponderExcluirFreire contribui com essa temática nos dizendo , " nunca fui ingênuo apreciador da tecnologia: não a divinizo, de um lado, nem a diabolizo, de outro. Por isso mesmo sempre estive em paz para lidar com ela. Não tenho dúvidas nenhuma do enorme potencial de estímulos e desafios à curiosidade que a tecnologia põe a serviço das crianças e adolescentes..."(Freire, 97).