sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

         


O texto abaixo é um fichamento que apresenta as ideias principais do texto "Sala de aula interativa a educação presencial e a distância em sintonia com a era digital e com a cidadania" de Marco Silva, o qual fala sobre a interatividade, cibercultura, hipertexto, era digital, dificuldade dos professores em lhe darem com essa nova era e a importância da participação ativa do aluno no processo comunicacional e de construção do conhecimento nessa nova era digital.

“Vivemos a transição do modo de comunicação massivo para o interativo. Um processo em curso de reconfiguração das comunicações humanas em toda sua amplitude.”
“A disposição interativa permite ao usuário ser ator e autor fazendo da comunicação não apenas o trabalho da emissão, mas co-criação da própria mensagem e da comunicação. Permite a participação entendida como troca de ações, controle sobre acontecimentos e modificação de conteúdos.”
“[...] a interatividade permite ultrapassar a condição de espectador passivo para a condição de sujeito operativo.”
“Os games mais avançados permitem uma variedade de decisões que o jogador pode tomar ao longo da trama. [...] No cinema digital o público poderá sair da passividade e participar da história controlando personagens, desfechos e até criando a trilha sonora do filme.”
“Seja lá o nome que se dê, era digital, cibercultura, sociedade de informação ou sociedade em rede, o fato é que em nosso tempo a interatividade é desafio não só para os gestores da velha mídia, mas para todos os agentes do processo de comunicação.”
“A inquietação é visível entre empresários e programadores de tv quando os mais antenados anunciam que daqui a dez anos vai parecer absurdo ter um aparelho de tv em casa pelo qual não se possa enviar nada, apenas receber. [...]E, de imediato, procuram desenvolver alternativas interativas em seus programas para enfrentar a concorrência da internet e atender o novo espectador.”
“Eles percebem que um programa interativo na tv deve permitir que os telespectadores definam o rumo que ele toma, que a passividade da tv significa perda progressiva de audiência, e que o espectador tende a permanecer ligado ou conectado se puder participar da programação.”
“A inquietação dos empresários e programadores de tv diante da interatividade não encontra eco na escola e nos sistemas de ensino. É preciso despertar o interesse dos professores para uma nova comunicação com os alunos em sala de aula presencial e virtual.”
“Muitos educadores já perceberam que a educação autêntica não se faz sem a participação genuína do aluno, [...]. No entanto, esta premissa ainda não mobilizou o professor diante da urgência de modificar o modelo comunicacional baseado no falar-ditar do mestre que se mantém inarredável na era digital.”
“[...]seja na sala de aula “inforrica” (equipada com computadores ligados à Internet), seja no site de educação à distância, seja na “telessala”, seja na sala de aula  “infopobre”, é preciso ir além da percepção de que o conhecimento não está mais centrado na emissão.”
“Em nossos dias, mesmo ganhando maturidade teórica e técnica com o desenvolvimento da internet e dos games, o significado do termo também sofre sua banalização quando usado como “argumento de venda” ou ideologia publicitária em detrimento do prometido mais comunicacional.
“No caso dos softwares ditos interativos, muitas vezes não passam de estruturas arborescentes, fechadas e seqüenciais que reproduz a mesma estrutura do livro. Quanto aos programas de tv que se divulgam como interativos, o que se vê é leitura de e-mails “no ar”, [...] E quanto às escolas e cursos via web (e-learning) que se autointitulam interativos, o que se tem na verdade é a sala de aula aparelhada com computadores, internet, tecnologia 3D (capacete com óculos e fone) servindo principalmente para intensificar e modernizar o velho modelo da transmissão[...].”
“Hoje “o termo interatividade se presta às utilizações mais desencontradas e estapafúrdias, abrangendo um campo semântico dos mais vastos, que compreende desde salas de cinema em que as cadeiras se movem até novelas de televisão em que os espectadores escolhem (por telefone) o final da história.”
“Interatividade é um conceito de comunicação e não de informática. Pode ser empregado para significar a comunicação entre interlocutores humanos, entre humanos e máquinas e entre usuário e serviço. [...].”
“[...] o computador se encontra diretamente associado ao termo exatamente porque na sua memória imagens, sons e textos são convertidos em bits de modo a sofrer qualquer tipo de manipulação e interferência, sem degradação ou perda da informação.”
“Nesse caso se diz que o computador é “conversacional” para diferencia-lo dos meios massivos unidirecionais, exatamente porque permite o dialogo da emissão e recepção.”
“[...] Antes do computador conversacional é possível encontrar a expressão mais depurada do termo na arte “participacionista” da década de 1960, definida também como “obra aberta”. O que permite garantir que interatividade não é uma novidade da era digital.”
“O “parangolé” do artista plástico carioca Hélio Oiticica (1937-1980) é um exemplo maravilhoso de explicitação dos fundamentos da interatividade. [...] Ele é pura proposição à participação ativa do “espectador” – termo que se torna inadequado, obsoleto. [...]”
“O professor propõe o conhecimento. Não o transmite. Não o oferece à distância para a recepção audiovisual ou “bancária” (sedentária, passiva), como criticava o educador Paulo
Freire.”
“[...] O aluno não está mais reduzido a olhar, ouvir, copiar e prestar contas. Ele cria, modifica, constrói, aumenta e, assim, torna-se co-autor.”
“Uma pedagogia baseada nessa disposição à co-autoria, à interatividade, requer a morte do professor narcisicamente investido do poder. Expor sua opção crítica à intervenção, à modificação requer humildade. [...]”
“[...] o professor propõe o conhecimento à maneira do parangolé. Assim ele redimensiona a sua autoria: não mais a prevalência do falar-ditar, da lógica da distribuição, mas a perspectiva da proposição complexa do conhecimento à participação ativa dos alunos que já aprenderam com o joystick do videogame e hoje aprendem com o mouse. [...]”
“Nos livros Pedagogia do oprimido, Educação e mudança, e A importância do ato de ler, Paulo Freire faz críticas à transmissão como sendo o modelo mais identificado como prática de ensino e menos habilitado a educar.[...]”
“P. Freire não desenvolveu uma teoria da comunicação que dê conta de sua crítica à transmissão. No entanto, deixou seu legado que garante ao conceito de interatividade a exigência da participação daquele que deixa o lugar da recepção para experimentar a cocriação.”
“Para promover a sala de aula interativa o professor precisa desenvolver pelo menos cinco habilidades entre outras: 1. Pressupor a participação-intervenção dos alunos, [...] 2. Garantir a bidirecionalidade da emissão e recepção, [...] 3. Disponibilizar múltiplas redes articulatórias, [...] 4. Engendrar a cooperação, sabendo que a comunicação e o conhecimento se constroem entre alunos e professor como co-criação e não no trabalho solitário; [...] 5. Suscitar a expressão e a confrontação das subjetividades, [...]”
“Estas são habilidades necessárias para o professor aproveitar ao máximo o potencial das novas tecnologias em sala de aula. Contudo não se destinam somente à sala de aula “inforrica”. Pois, uma vez que interatividade é conceito de comunicação e não de informática, tais habilidades são necessárias também para o professor que quer modificar sua postura comunicacional na sala “infopobre”.”
“Ambos podem aprender com o parangolé e com o computador. Quanto a este último, é preciso ter claro que ele vem potenciar e não substituir o trabalho docente; é preciso saber operá-lo para não subutilizar sua natureza interativa, hipertextual. [...]”
“O hipertexto é o novo paradigma tecnológico que liberta o usuário da lógica unívoca da mídia de massa. Ele democratiza a relação do usuário com a informação gerando um ambiente conversacional que não se limita à lógica da distribuição.[...]”
“Assim a interatividade e o hipertexto convidam o professor a considerar a necessidade de modificar a comunicação centrada na emissão do professor contador de história inspirando-se para isso no designer de software.”
“O professor contador de história é aquele que centra a comunicação no seu falar-ditar disparando lições-padrão. É o emissor que atrai o receptor para seu universo mental, para
seu imaginário, para sua récita.”
“O professor contador de história terá dificuldade de lidar e aprender com o hipertexto e com as tecnologias digitais. [...] Aquele que migra da tela estática da tv para a tela do computador conectado à internet; lida facilmente com o hipertexto, com o digital que define sua experiência comunicacional [...]. Essa atitude menos passiva diante da mensagem é sua exigência uma nova sala de aula, de uma nova postura comunicacional do professor.”
“As salas podem ganhar equipamentos de realidade virtual e carteiras equipadas com monitores que mostram o conteúdo apresentado pelo professor; o aluno pode gravar o conteúdo em disquete e, caso tenha faltado à aula, acessar o site da disciplina [...]. Ainda assim, prevalecem a transmissão e a lógica da distribuição próprias da sala de aula tradicional e da mídia de massa.”

“Então é preciso enfatizar: o essencial não é a tecnologia, mas um novo estilo de pedagogia sustentado por uma modalidade comunicacional que supõe interatividade, isto é, participação, cooperação, bidirecionalidade e multiplicidade de conexões entre informações e atores envolvidos. Mais do que nunca o professor está desafia do a modificar sua comunicação em sala de aula e na educação. [...]”

Adriana Ribeiro Ferreira

Um comentário:

  1. Legal esse texto e super rico né Dri? Diante de todas essas contribuições vemos que a introdução das novas tecnologias nas instituições de ensino, tem se apresentado como facilitadora nas propostas contemporâneas de obtenção de aprendizagem, tornando as salas de aulas interativas. :)
    Freire contribui com essa temática nos dizendo , " nunca fui ingênuo apreciador da tecnologia: não a divinizo, de um lado, nem a diabolizo, de outro. Por isso mesmo sempre estive em paz para lidar com ela. Não tenho dúvidas nenhuma do enorme potencial de estímulos e desafios à curiosidade que a tecnologia põe a serviço das crianças e adolescentes..."(Freire, 97).

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