A
internet segura do menino maluquinho é um pequeno livro com texto de Gustavo
Luiz, que apresenta de forma divertida, várias maneiras para que as crianças
acessem a internet com segurança. Quem quiser conferir é só acessar o link
abaixo.
Tecnoeduc
Este blog foi criado com objetivo de apresentar e debater temas relevantes associados à Educação e Tecnologias da Comunicação e Informação.
sexta-feira, 8 de abril de 2016
sábado, 26 de março de 2016
Este
é um fichamento de citações do texto "As tendências pedagógicas/
comunicacionais da docência online no mundo contemporâneo" de Maria da
Conceição Alves Ferreira, o qual aborda temas como, o crescimento da educação a
distância no Brasil, as práticas pedagógicas realizadas nessa modalidade de
ensino, conceitos de ensinar e aprender, etc.
“A docência, por meio
do uso da tecnologia digital e, particularmente, da internet, está
contribuindo sobremaneira no crescimento dos processos educativo/formativos e
comunicacionais, pois exige “um pensar junto” e não apenas um “penso” na lógica
do falar/ditar, um/todos.[...].”
“[...]Por consequência,
a sociedade vai configurando áreas de saber cada vez mais complexas e
necessitadas de aprendizagem contínua diante do artefato da tecnologia digital.
[...].”
“A docência torna-se
mais complexa porque está incorporando/ integrando competências intelectuais,
afetivas, técnicas e éticas que, em outros tempos, eram menos integradas e
visíveis nos processos formativo-profissionais dos sujeitos.”
“Podemos dizer, então,
que são notórios, a partir da metade dos anos 1990 até os dias atuais, o
crescimento e a oferta de cursos online que ocupam espaços presenciais e
virtuais. [...].”
“No
universo da educação superior no Brasil, na época da publicação da LDB, 1998,
apenas a Universidade Federal do Mato Grosso oferecia um curso de graduação à
distância, [...] Entretanto, a partir de 2002, observou-se um crescente
envolvimento das instituições de ensino superior com cursos de educação a
distância, revelando o aumento de credenciamento e autorização de cursos
superiores de educação a distância [...].”
“A maioria das
solicitações direcionou-se para cursos de graduação na área de formação de
professores, em virtude da demanda de formação e exigência legal: a Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB n. 9.394/96), determina que, até o
ano de 2007, o ensino fundamental tenha seus professores habilitados em nível
superior. [....]”
“As ofertas
disponibilizadas por instituições de educação mais consagradas, como as
universidades federais, vêm se dando de forma mais lenta, tendo em vista a
preocupação com a qualidade, levando grande parte dos professores a reagir ao
modo não presencial de ensino-aprendizagem.[...]”.
“Nos últimos anos, a
procura por cursos online tem aumentado consideravelmente, pois,
atualmente, o Brasil possui cerca de 84.713 alunos frequentando cursos virtuais
(FERREIRA, 2004). Percebemos assim que, devido aos novos contornos da vida
cotidiana dos brasileiros e das dificuldades de acesso ao ensino presencial, a
modalidade de ensino por meios comunicativo/interativos está ganhando
visibilidade no contexto nacional.”
“As instituições que
foram criadas com este fim, exclusivamente virtual, adentraram ao mercado de
forma ousada, trazendo um discurso de inovação, mas, por outro lado, estão
também causando desconfianças, tensão e perplexidade, pois a promoção da
educação online ainda se constitui um processo desafiador e enigmático. Dessa
forma, como salienta Santos (2005, p. 108), “a educação online não é apenas uma
evolução das gerações da Ead, mas um fenômeno da cibercultura”. [...].”
“O crescente
desenvolvimento da cultura tecnológica, ligado à emergência das tecnologias de
comunicação e da informação, recoloca em pauta o debate sobre o papel da
educação na formação dos sujeitos e da docência enquanto prática social.”
“Apesar das
controvérsias, é evidente que a educação através das mídias conectadas é uma
tendência cada vez mais presente no nosso cotidiano e se destaca enquanto
processo irreversível. Do ponto de vista de modelos pedagógico/comunicacionais,
o cenário contemporâneo apresenta tendências de cursos que permeiam o universo
educativo brasileiro e o de países envolvidos nessa perspectiva.”
“Dentre elas, podemos
descrever:
● Cursos programados para alunos
individualmente, os chamados cursos de instrução programada. [...]● Cursos para
pequenos grupos [...]● Cursos para grandes grupos [...]● Disciplinas para
cursos de licenciatura com caráter semipresencial [...].”
“Para adentrar a
questão central do estudo sobre a docência online, torna-se necessário
discorrer sobre a docência enquanto construção social e histórica. Atualmente,
esta se encontra num momento de indefinição, podendo-se dizer de falta de
identidade, permeada pela divisão entre a teoria e a prática, o técnico e o
político, o ensinar e o aprender, o planejar e o executar, como se fossem
coisas separadas ou, ainda, compartimentadas.”
“O ato de ensinar,
assim como o de aprender, está presente na vida humana desde os tempos mais
remotos, pois, para sobreviver nas adversidades do mundo dito primitivo, o
homem/mulher precisava desenvolver habilidades como caçar, proteger-se do frio,
do calor, comunicar-se, entre outras [...].”
“[...] Segundo Paulo
Freire (1996, p. 26):
[...]
ensinar inexiste sem aprender e vice-versa e foi aprendendo socialmente que,
historicamente, mulheres e homens descobriram que era possível ensinar [...].
Aprender precedeu ensinar ou, em outras palavras, ensinar diluía na experiência
realmente fundante de aprender [...].”
“[...]
podemos afirmar que a docência, enquanto saber social, vem se constituindo
entre homens e mulheres desde as experiências vivenciadas nos grupos, nas
comunidades, nas instituições e em tempos/espaços diversos, de tal forma que os
processos de ensinar e aprender se misturam, desde que nos constituímos como
sujeitos ensinantes/aprendizes.”
“No contexto da
educação online, a docência toma rumos/tendências diversos(as). Dentre
eles podemos salientar as dimensões proporcionadas pelos saberes pedagógicos e
comunicacionais.”
“É sabido que a
docência online reside nos limiares da educação online, da
cibercultura e da comunicação. Assim, torna-se um objeto multirreferencial e
complexo, pois engloba diversas áreas do conhecimento.”
“A perspectiva que
permite a possibilidade de trabalhar com referenciais da modalidade
comunicacional interativa, articulada à docência online, se ampara na
ideia de interatividade, emergente do advento sociotécnico, a cibercultura.
Entretanto, a docência online se institui nesse universo da cibercultura
ligada à complexidade dos fundamentos da interatividade que pressupõe
participação-intervenção, bidirecionalidade-hibridação e
permutabilidade-potencialidade dos pares envolvidos no processo de
ensino-aprendizagem que se caracteriza pela educação online.
[...].”
“Uma proposta de
formação pedagógica para a docência online ainda precisa amparar-se em
pressupostos comunicacionais dialógicos, pois o que caracteriza a comunicação
como diálogo é o ato comunicativo, de comunicar, comunicando-se.”
“De acordo com Freire
(2002, p. 66), “o sujeito pensante não pode pensar sozinho; não pode pensar sem
a co-participação de outros sujeitos no ato de pensar sobre o objeto”. Assim, a
educação é comunicação, é diálogo, na medida em que não é transmissão de saber.
[...].”
“Muitas são as
instituições públicas e privadas que estão ofertando cursos de graduação,
pós-graduação e na modalidade extensão no contexto brasileiro. Destacamos,
dentre outras, a experiência do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial
(Senac) com os cursos em Especialização em Educação a Distância (EAD), Tutoria online
e curso de extensão como possibilidades de Educação online no
contexto baiano.”
“O curso de Especialização em
Educação a Distância tem como objetivo formar profissionais para atuar em
organizações educacionais e corporativas que desenvolvem e/ou planejam projetos
de educação a distância, desempenhando funções pedagógicas ou gestoras, com as
seguintes atribuições: ● gestor [...]● tutor online [...] desenhista instrucional [...].”
“Os cursos oferecidos
pelo Senac apresentam variações pedagógico/ formativas que podem proporcionar
diferenciais em relação a outras propostas oferecidas no contexto atual, pois
sugerem uma educação ancorada em pressupostos que primam pela qualidade do
ensino-aprendizagem, tais como: ● Profissionais qualificados [...]● Número
adequado de alunos [...]● Ambiente virtual de aprendizagem utilizado (Moodle)
apresenta interfaces que proporcionam interatividade [...]● Material didático
pedagógico personalizado [...]● Estrutura de gestão participativa [...].”
“Contudo,
não podemos deixar de ressaltar que, apesar da larga experiência desde 1993 com
produção e difusão de cursos numa perspectiva a distância, a experiência do
Senac, como a de qualquer outra instituição que envolve interações com pessoas,
apresenta entraves, dilemas, contradições, problemas, mas também apresenta
possibilidades e realidades.”
“Percebemos que, apesar
dos entornos progressistas da modalidade de ensino e aprendizagem a distância,
os cursos online apresentam alguns entraves que são visíveis no processo
de desenvolvimento, dentre eles podemos citar:
a) A
evasão dos alunos é algo que precisa de considerável atenção, pois os motivos
são de diversas origens, [...].
b)
Falta de cumprimento dos prazos de
realização de atividades propostas para o aluno por um mau entendimento de que
o fato de ser a distância significa não ter prazo definido. [...].”
c)
c) Dificuldades financeiras. [...].”
d)
d) Distorções pedagógicas. [...].”
“Entretanto, a educação
online apresenta um redesenho da formação de professores, da docência, e
indicam muitas possibilidades como a interatividade, a simultaneidade, acompanhamento
sistemático das atividades propostas, flexibilidade e criatividade no ato
educativo, buscando assim a tão sonhada educação de qualidade pretendida por
todos nós.”
Adriana Ribeiro Ferreira
Este
é um fichamento do texto “A co-laboração na/em Rede” de Lynn Alves, Ricardo
Japiassu e Tânia Maria Hetkowski, o qual apresenta algumas considerações acerca
do conceito de co-laboração na perspectiva da Teoria Histórico-cultural, etc.
“A Galáxia de Gutemberg vem sendo, nos últimos quarenta anos,
invadida por uma nova forma de comunicar, de produzir conhecimentos e saberes -
a comunicação através das redes digitais e, em especial, da Internet que, desde
as experiências iniciais da Arpanet (EUA) e do Minitel (França), vem crescendo vertiginosamente. [...]”.
“A aldeia global, concebida por McLuhan e Powers, nas décadas de 1960 e 1970, possui
hoje uma outra configuração, muito mais interativa, possibilitando a emergência
das chamadas comunidades de aprendizado. [...]essas comunidades se constituem em
agregações sociais que surgem na Internet formada por interlocutores invisíveis
que podem ter interesses que vão do conhecimento científico ao conhecimento espontâneo,
utilizando esses espaços para trocas intelectuais, sociais, afetivas e
culturais,[...]”.
“A emergência destas comunidades pode configurar o que Lèvy
denomina de uma inteligência coletiva, que se constrói no ambiente da/em Rede ,
mediante uma necessidade pontual dos seres humanos, que intercambiam seus
saberes, trocando e construindo novos conhecimentos, [...]”.
“É importante revelar que o entendimento do processo de construção
co-laborativa do conhecimento cuja ênfase recai em suas origens sociais e
históricas, isto é, num conhecer orientado inicialmente no sentido do coletivo
para o sujeito, não emerge apenas com o amplo uso instrumental das mídias
telemáticas na Educação [...]”.
“Na perspectiva cultural de interpretação do desenvolvimento
humano portanto é a partir das complexas interrelações sociais (microgênese) e
históricas (macrogênese), obrigatoriamente MEDIADAS pelo uso instrumental das
ferramentas e signos ao longo da filogênese (percurso evolutivo
inter-espécies) e da ontogênese (percurso desenvolvimental
intra-espécie), que se criam enfim as condições materiais e imateriais para a co-laboração
das funções psíquicas "superiores" [...]”.
“Os saberes práticos, as (in)formações e os conhecimentos empíricos
e científicos co-laborados e em co-laboração pelo sujeito só podem ser
viabilizados unicamente através da MEDIAÇÃO CULTURAL (ferramentas e signos) -
que interpõe-se necessariamente entre TODAS as suas interações sociais nos
diferentes coletivos (nível interpsíquico) nos quais ele/ela atua e com os
quais dialoga e se relaciona”.
“A prática pedagógica, quando mediada pelas TIC, altera a função
educacional do professor e a sua compreensão do contexto educativo - o qual é
necessariamente (in)formado por diversas outras práticas cotidianas (política,
ética, econômica etc). Essas práticas orientam e deflagram as ações dos
professores e imprimem significados à vida profissional dos docentes. [...]”.
“Alguns obstáculos que se interpõem à prática pedagógica do
professor podem ser: (1) o ensino é interpretado como uma atividade seletiva;
(2) o contexto organizacional desse ensino faz com que os professores
desenvolvam trabalhos individuais e não coletivos; (3) as lógicas de
socialização profissional não acontecem em momentos apropriados ao
desenvolvimento de atitudes reflexivas; (4) as TIC e os materiais didáticos são
gerados a partir de uma lógica hierárquica vertical, [...]”.
“Portanto, as TIC entram na escola como dispositivos técnicos e as
práticas pedagógicas continuam pautadas em velhos paradigmas, apenas com uma
diferença: retira-se a centralidade do professor transferindo-a para as TIC. [...]”.
“[...]Considerar a prática co-laborativa como potencialidade de
reflexões do e para o(a) professor(a) significa compreender que
as questões educacionais são também questões políticas, sociais, culturais etc.
[...]”.
“Considerando que tanto na sociedade como na escola o(a)
professor(a) encontra toda uma série de instrumentos que podem ser
potencializados através da sua prática pedagógica, ele(a) - professor(a) - pode
compartilhar e efetivar mudanças recorrendo à riqueza das práticas
coletivas oportunizadas pelo ciberespaço. [...]”.
“Apesar da grande proliferação de comunidades virtuais de
aprendizado na/em Rede, constata-se ainda, na escolarização, a existência de
resistências e dificuldades de convivência com esta modalidade de
interação/comunicação mediada por computadores interconectados à Internet”.
“A literatura especializada costuma justificar a
"recusa" de educadores e educandos em fazerem uso deste tipo de
ambiente para promoção da atividade co-laborativa atribuindo-a, basicamente, a
três fatores: (1) os sujeitos têm que aprender a lidar com a diferença, o que
sempre é algo complexo; (2) esses ambientes solicitam posturas intelectuais
autônomas e processos co-laborativos de/em grupo (algo que a escolarização
tradicional tem falhado em promover); e (3) as pessoas necessitam apropriar-se
dos recursos informáticos e suportes tecnológicos - o que, para muitos, é algo
novo e ainda distante das suas competências econômicas e culturais”.
“Apesar dos discursos co-laboracionistas
renovadores e dos avanços pedagógicos já alcançados pelo desenvolvimento de
novas práticas de ensino-aprendizado com o uso das TIC, a atividade
co-laborativa permanece sendo um desafio à educação formal em e-coletivos”.
“[...] é só do confronto entre as dimensões formal e informal da
Educação que podem emergir e se concretizarem práticas instituintes
potencializadoras do aprendizado on-line e da atividade co-laborativa”.
“A atividade pedagógica
mediada pelas redes digitais proporciona então a criação de novas práticas
instituintes. Mas, embora a atividade pedagógica instituinte tenha raízes nas
práticas educacionais já institucionalizadas, ao mesmo tempo,
contraditoriamente, apresenta-se como desafio ao status quo . [...]”.
“[...]Promover o auto-aprendizado e portanto o pensamento crítico
do sujeito - no sentido de fazê-lo ir além do senso comum - tem ocasionado, com
alguma freqüência, a emergência de uma nova categoria "estatística"
nos processos formais de EaD: os "evadidos on-line."”
“Cotidianamente vemos
emergir novas CVAs na/em Rede (WEB). Contudo, observa-se que os agrupamentos de
sujeitos mediados pelas TIC tendem a desaparecer com a mesma rapidez com que
surgem. Acredita-se que isso ocorra em razão de, no âmbito desses e-coletivos,
não serem promovidas práticas genuinamente co-laborativas[...]”.
“Sustentar o desejo
para manter e preservar a co-laboração de/em uma CVA exige o exercício contínuo
da autonomia. [...]”.
“[...] Essa dificuldade
em ousarmos ser autores dos nossos próprios enunciados, em nos
"autorizarmos" pode, de fato, estar relacionada ao tipo de educação
que tivemos oportunidade de vivenciar em nossas vidas. [...]”.
“Ao nos
"comportarmos" de acordo com o pensamento único e hegemônico,
acabamos por fazer vingar plenamente, quase sempre de modo inconsciente, em
nossos corpos e mentes, a perversa ideologia dominante da fase neoliberal do
capitalismo na contemporaneidade. [...]” .
“Na configuração
política, social, econômica e educacional excludente atual, típica da
pós-modernidade, a co-laboração em/na Rede pode ser, contraditoriamente, uma
alternativa às tradicionais práticas autoritárias que têm caracterizado as
relações de poder nas organizações e empreendimentos educativos no capitalismo
tardio”.
“[...] A emergência das
TIC como poderosas ferramentas mediadoras das relações humanas na
contemporaneidade apenas oferece maior visibilidade à natureza difusa e não
necessariamente escolar da Educação”.
“A co-laboração na/em
Rede, sem dúvida, pode contribuir para a emancipação do sujeito engajando-o em
um genuíno processo de construção autônoma de novos conhecimentos e saberes.
[...]”.
“Os sujeitos em CVAs
que promovem a co-laboração são potencialmente pares, co-autores e
co-construtores de inúmeros processos de criação, atuação e significação.
[...]”.
“A co-laboração
portanto implica o desenvolvimento de processos interacionistas que visam
encorajar os sujeitos a atuarem em conjunto para a construção de diferentes
conhecimentos e saberes, enfatizando a co-autoria (DIAS).”
“Os processos
co-laborativos costumam ser permeados por trocas contínuas e pela socialização
de diferentes olhares e argumentações. Neste sentido, não existe apenas um
sujeito que ocupe o lugar de educador ou que detenha a posse exclusiva do
conhecimento; todos se revezam nos papéis de educadores e educandos [...]”.
“A atividade
co-laborativa genuína só pode ocorrer a partir da premissa da interatividade -
interatividade aqui entendida de modo a ultrapassar a relação solitária do
sujeito com as interfaces e seus agentes humanos e artificiais. [...]”.
“Portanto, no sentido
que interessa aqui, a interatividade deve ser compreendida como a possibilidade
de o usuário participar ativamente, interferindo no processo de
ensino-aprendizado com ações, reações, intervenções, [...]”.
“A interatividade assim
entendida - de modo amplo - nos permite avançar pedagogicamente em relação ao
modelo instrucionista do tipo broadcast - que apoia-se em pólos transmissores
para a distribuição unilateral das mensagens à muitas pessoas em diferentes locais,
simultaneamente. [...]”.
“A interatividade e a
interconectividade, possibilitadas e incrementadas pelas tecnologias digitais e
pela cultura da simulação, típica das comunidades virtuais, vêm contribuindo
sem dúvida para a instauração daquela "outra" lógica à qual já nos
referimos, e que caracteriza tanto o fast thinking (pensamento ágil
"multimídico") como o pensamento complexo (ou "conhecimento
hipertextual")”.
“Atuar
co-laborativamente vai além de tomar parte nos desgastados "trabalhos em
grupo" - que tiveram ampla divulgação com a difusão, penetração e
corruptela das idéias renovadoras da Escola Nova nas práticas educacionais
nacionais. [...]”.
“A escola do trabalho [Escola Nova] é a
escola em que a atividade é aproveitada como um instrumento ou meio de educação
[...] A escola nova se propõe, por uma forma de vida e de trabalho em comum, a
ensinar a viver em sociedade e a trabalhar em cooperação”.
“Para Charles Crook, em
nossos intercâmbios habituais com outras pessoas, cotidianamente, constatamos
que (1) a atividade cognitiva é interpretada como um conjunto de sistemas
funcionais , [...] (2) a cognição é “situada”[...] e (3) a cognição possui
caráter social em duplo sentido : os elementos mediadores (signos) se criam e
evoluem a partir de um contexto sociocultural e, inversamente, o uso de signos
e os processos de significação (de construção de sentidos por parte do sujeito)
vinculam-se ao contexto circunstancial das suas/nossas interações”.
“Pode–se afirmar, sem
receio, que a atividade co-laborativa atua na zona de desenvolvimento proximal
(ZDP) da comunidade de aprendizado em razão de os participantes do grupo - com
suas singulares competências - auxiliarem-se uns aos outros na qualidade de
membros mais experientes de diferentes círculos de conhecimento e variadas
práticas culturais”.
“O que distingue a
atividade co-laborativa da atividade cooperativa em uma CVA reside na natureza
“híbrida” ou intercultural (provisória) do processo coletivo de construção de
conhecimentos e saberes – o que sem dúvida encontra-se muito além da simples
existência de interação e intercâmbio de informações entre os membros do
grupo”.
“[...] conclui-se facilmente que a atividade
co-laborativa (trabalho colaborativo) pressupõe (1) a formação/promoção de
grupos heterogêneos, evitando-se – sempre que for possível – agruparem-se os
sujeitos reiteradamente com pessoas com as quais ele(a) já mantêm vínculos
sociais; (2) a busca do alcance dos objetivos pessoais e do e-coletivo; (3) a
interdependência não hierarquizada entre os membros do grupo como forma de
incentivo à um genuíno aprendizado”.
“[...] a atividade
co-laborativa (o trabalho colaborativo) pode converter-se em poderoso recurso
metodológico para a implementação de empreendimentos pedagógicos à distância
na/em Rede. [...]”
Adriana Ribeiro Ferreira
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
O texto abaixo é um fichamento que apresenta as ideias principais
do texto "Sala de aula interativa a educação presencial e a distância em
sintonia com a era digital e com a cidadania" de Marco
Silva, o qual fala sobre a interatividade, cibercultura, hipertexto, era
digital, dificuldade dos professores em lhe darem com essa nova era e a
importância da participação ativa do aluno no processo comunicacional e de
construção do conhecimento nessa nova era digital.
“Vivemos a transição do modo de comunicação massivo
para o interativo. Um processo em curso de reconfiguração das comunicações
humanas em toda sua amplitude.”
“A disposição interativa permite ao usuário ser ator
e autor fazendo da comunicação não apenas o trabalho da emissão, mas co-criação
da própria mensagem e da comunicação. Permite a participação entendida como troca
de ações, controle sobre acontecimentos e modificação de conteúdos.”
“[...] a interatividade permite ultrapassar a
condição de espectador passivo para a condição de sujeito operativo.”
“Os games mais avançados permitem uma variedade de
decisões que o jogador pode tomar ao longo da trama. [...] No cinema digital o
público poderá sair da passividade e participar da história controlando
personagens, desfechos e até criando a trilha sonora do filme.”
“Seja lá o nome que se dê, era digital,
cibercultura, sociedade de informação ou sociedade em rede, o fato é que em
nosso tempo a interatividade é desafio não só para os gestores da velha mídia,
mas para todos os agentes do processo de comunicação.”
“A inquietação é visível entre empresários e
programadores de tv quando os mais antenados anunciam que daqui a dez anos vai
parecer absurdo ter um aparelho de tv em casa pelo qual não se possa enviar
nada, apenas receber. [...]E, de imediato, procuram desenvolver alternativas
interativas em seus programas para enfrentar a concorrência da internet e
atender o novo espectador.”
“Eles percebem que um programa interativo na tv deve
permitir que os telespectadores definam o rumo que ele toma, que a passividade
da tv significa perda progressiva de audiência, e que o espectador tende a
permanecer ligado ou conectado se puder participar da programação.”
“A inquietação dos empresários e programadores de tv
diante da interatividade não encontra eco na escola e nos sistemas de ensino. É
preciso despertar o interesse dos professores para uma nova comunicação com os
alunos em sala de aula presencial e virtual.”
“Muitos educadores já perceberam que a educação
autêntica não se faz sem a participação genuína do aluno, [...]. No entanto,
esta premissa ainda não mobilizou o professor diante da urgência de modificar o
modelo comunicacional baseado no falar-ditar do mestre que se mantém
inarredável na era digital.”
“[...]seja na sala de aula “inforrica” (equipada com
computadores ligados à Internet), seja no site de educação à distância, seja na
“telessala”, seja na sala de aula
“infopobre”, é preciso ir além da percepção de que o conhecimento não
está mais centrado na emissão.”
“Em nossos dias, mesmo ganhando maturidade teórica e
técnica com o desenvolvimento da internet e dos games, o significado do
termo também sofre sua banalização quando usado como “argumento de venda” ou
ideologia publicitária em detrimento do prometido mais comunicacional.”
“No caso dos softwares ditos interativos, muitas
vezes não passam de estruturas arborescentes, fechadas e seqüenciais que
reproduz a mesma estrutura do livro. Quanto aos programas de tv que se divulgam
como interativos, o que se vê é leitura de e-mails “no ar”, [...] E quanto às
escolas e cursos via web (e-learning) que se autointitulam interativos,
o que se tem na verdade é a sala de aula aparelhada com computadores, internet,
tecnologia 3D (capacete com óculos e fone) servindo principalmente para
intensificar e modernizar o velho modelo da transmissão[...].”
“Hoje “o termo interatividade se presta às
utilizações mais desencontradas e estapafúrdias, abrangendo um campo semântico
dos mais vastos, que compreende desde salas de cinema em que as cadeiras se
movem até novelas de televisão em que os espectadores escolhem (por telefone) o
final da história.”
“Interatividade é um conceito de comunicação e não
de informática. Pode ser empregado para significar a comunicação entre
interlocutores humanos, entre humanos e máquinas e entre usuário e serviço.
[...].”
“[...] o computador se encontra diretamente associado
ao termo exatamente porque na sua memória imagens, sons e textos são
convertidos em bits de modo a sofrer qualquer tipo de manipulação e
interferência, sem degradação ou perda da informação.”
“Nesse caso se diz que o computador é
“conversacional” para diferencia-lo dos meios massivos unidirecionais,
exatamente porque permite o dialogo da emissão e recepção.”
“[...] Antes do computador conversacional é possível
encontrar a expressão mais depurada do termo na arte “participacionista” da
década de 1960, definida também como “obra aberta”. O que permite garantir que
interatividade não é uma novidade da era digital.”
“O “parangolé” do artista plástico carioca Hélio
Oiticica (1937-1980) é um exemplo maravilhoso de explicitação dos fundamentos
da interatividade. [...] Ele é pura proposição à participação ativa do
“espectador” – termo que se torna inadequado, obsoleto. [...]”
“O professor propõe o conhecimento. Não o transmite.
Não o oferece à distância para a recepção audiovisual ou “bancária”
(sedentária, passiva), como criticava o educador Paulo
Freire.”
“[...] O aluno não está mais reduzido a olhar,
ouvir, copiar e prestar contas. Ele cria, modifica, constrói, aumenta e, assim,
torna-se co-autor.”
“Uma pedagogia baseada nessa disposição à
co-autoria, à interatividade, requer a morte do professor narcisicamente
investido do poder. Expor sua opção crítica à intervenção, à modificação requer
humildade. [...]”
“[...] o professor propõe o conhecimento à maneira
do parangolé. Assim ele redimensiona a sua autoria: não mais a prevalência do
falar-ditar, da lógica da distribuição, mas a perspectiva da proposição
complexa do conhecimento à participação ativa dos alunos que já aprenderam com
o joystick do videogame e hoje aprendem com o mouse. [...]”
“Nos livros Pedagogia do oprimido, Educação
e mudança, e A importância do ato de ler, Paulo Freire faz críticas
à transmissão como sendo o modelo mais identificado como prática de
ensino e menos habilitado a educar.[...]”
“P. Freire não desenvolveu uma teoria da comunicação
que dê conta de sua crítica à transmissão. No entanto, deixou seu legado que
garante ao conceito de interatividade a exigência da participação daquele que
deixa o lugar da recepção para experimentar a cocriação.”
“Para promover a sala de aula interativa o professor
precisa desenvolver pelo menos cinco habilidades entre outras: 1. Pressupor a
participação-intervenção dos alunos, [...] 2. Garantir a bidirecionalidade da
emissão e recepção, [...] 3. Disponibilizar múltiplas redes articulatórias,
[...] 4. Engendrar a cooperação, sabendo que a comunicação e o conhecimento se constroem
entre alunos e professor como co-criação e não no trabalho solitário; [...] 5.
Suscitar a expressão e a confrontação das subjetividades, [...]”
“Estas são habilidades necessárias para o professor
aproveitar ao máximo o potencial das novas tecnologias em sala de aula. Contudo
não se destinam somente à sala de aula “inforrica”. Pois, uma vez que
interatividade é conceito de comunicação e não de informática, tais habilidades
são necessárias também para o professor que quer modificar sua postura
comunicacional na sala “infopobre”.”
“Ambos podem aprender com o parangolé e com o
computador. Quanto a este último, é preciso ter claro que ele vem potenciar e
não substituir o trabalho docente; é preciso saber operá-lo para não
subutilizar sua natureza interativa, hipertextual. [...]”
“O hipertexto é o novo paradigma tecnológico que
liberta o usuário da lógica unívoca da mídia de massa. Ele democratiza a
relação do usuário com a informação gerando um ambiente conversacional que não
se limita à lógica da distribuição.[...]”
“Assim a interatividade e o hipertexto convidam o
professor a considerar a necessidade de modificar a comunicação centrada na
emissão do professor contador de história inspirando-se para isso no designer
de software.”
“O professor contador de história é aquele que
centra a comunicação no seu falar-ditar disparando lições-padrão. É o emissor
que atrai o receptor para seu universo mental, para
seu
imaginário, para sua récita.”
“O professor contador de história terá dificuldade
de lidar e aprender com o hipertexto e com as tecnologias digitais. [...]
Aquele que migra da tela estática da tv para a tela do computador conectado à
internet; lida facilmente com o hipertexto, com o digital que define sua
experiência comunicacional [...]. Essa atitude menos passiva diante da mensagem
é sua exigência uma nova sala de aula, de uma nova postura comunicacional do
professor.”
“As salas podem ganhar equipamentos de realidade
virtual e carteiras equipadas com monitores que mostram o conteúdo apresentado
pelo professor; o aluno pode gravar o conteúdo em disquete e, caso tenha
faltado à aula, acessar o site da disciplina [...]. Ainda assim,
prevalecem a transmissão e a lógica da distribuição próprias da sala de aula
tradicional e da mídia de massa.”
“Então é preciso enfatizar: o essencial não é a
tecnologia, mas um novo estilo de pedagogia sustentado por uma modalidade
comunicacional que supõe interatividade, isto é, participação, cooperação,
bidirecionalidade e multiplicidade de conexões entre informações e atores
envolvidos. Mais do que nunca o professor está desafia do a modificar sua
comunicação em sala de aula e na educação. [...]”
Adriana Ribeiro Ferreira
Adriana Ribeiro Ferreira
terça-feira, 9 de fevereiro de 2016
sábado, 12 de dezembro de 2015
FICHAMENTO
O texto abaixo é um fichamento com fragmentos do texto CIBERCULTURA. Alguns pontos para compreender a nossa época, do autor André Lemos.
“A
cibercultura é a cultura contemporânea marcada pelas tecnologias digitais.
Vivemos já a cibercultura. Ela não é o futuro que vai chegar mas o nosso
presente (home banking, cartões inteligentes, celulares, palms,
pages, voto eletrônico, imposto de renda via rede, entre outros).”
“A cibercultura nasce no desdobramento da relação da
tecnologia com a modernidade que se caracterizou pela dominação, através do
projeto racionalista iluminista, da natureza e do outro. Se para Heidegger
(Heidegger, 1954) a essência da técnica moderna estava na requisição
energético-material da natureza para a livre utilização científica do mundo, a
cibercultura seria uma atualização dessa requisição, centrada agora na
transformação do mundo em dados binários para futura manipulação humana
(simulação, interatividade, genoma humano, engenharia genética, etc.).”
“A partir da década de sessenta, a emergências de
novas formas de sociabilidade vão dar outros rumos ao desenvolvimento
tecnológico, transformando, desviando e criando relações inusitadas do homem
com as tecnologias de comunicação e informação.”
“Cada transformação midiática altera nossa percepção
espaço temporal, chegando na contemporaneidade a vivenciarmos uma sensação de
tempo real, imediato, “live”, e de abolição do espaço físico-geográfico. A
sociedade da informação é marcada pela ubiqüidade e pela instantaneidade,
saídas da conectividade generalizada. [...] O tempo real pode inibir a
reflexão, o discurso bem construído e a argumentação. Por outro lado o clique
generalizado permite a potência da ação imediata, o conhecimento simultâneo e
complexo, a participação ativa nos diversos fóruns sociais.”
“A nova dinâmica técnico-social da cibercultura
instaura uma estrutura midiática ímpar na história da humanidade onde, pela
primeira vez, qualquer indivíduo pode, a priori, emitir e receber informação em
tempo real, sob diversos formados e modulações (escrita, imagética e sonora)
para qualquer lugar do planeta.”
“Esse fenômeno inédito alia-se ainda a uma
transformação fundamental para a compreensão da cibercultura, a saber, a
transformação do computador pessoal e um instrumento coletivo e deste ao
coletivo móvel (com a atual revolução do “Wi-Fi”, que será com certeza a nova
etapa da cibercultura).”
“A nova estrutura técnica contemporânea nos leva em
direção à uma interface zero, onde a ubiqüidade se generaliza para entrar no
coração dos objetos e proporcionar nomadismos radicais.”
“Embora os diversos fenômenos da cibercultura tenham
sofrido um crescimento exponencial em números de pessoas com poder de acesso à
era da conexão, como afirma Pierre Lévy, o fenômeno é ainda minoritário (Lévy,
1997). No entanto, o mesmo deve ser compreendido como hegemônico, como assim o
foi durante toda a história do desenvolvimento dos diversos instrumentos
midiáticos. A exclusão digital é um fato, embora não seja a única em países
como o Brasil.”
“A cibercultura nos coloca também diante de
problemas lingüísticos e conceituais e não é por acaso a crescente utilização
de metáforas para descrevermos os seus diferentes fenômenos. [...] Vários
conceitos emergem associados às novas tecnologias mas tratar-se-ia de
atualizações de experiências comuns em diversas atividades humanas, como a
idéia de interatividade, de simulação, de site (sítio), de virtual?”
“A novidade do fenômeno nos traz o desafio de
delimitarmos melhor os conceitos para podermos vislumbrar as diferenças e
similitudes com fenômenos técnico-mediáticos anteriores.”
“Precisamos hoje de um esforço conceitual para
delimitarmos melhor o campo e vislumbrarmos as verdadeiras conseqüências da
cibercultura.”
“Podemos dizer que a Internet não é uma mídia no
sentido que entendemos as mídias de massa. Não há fluxo um - todos e as
práticas dos utilizadores não são vinculadas à uma ação específica.”
“A cibercultura é recheada de novas maneiras de se
relacionar com o outro e com o mundo. Não se trata, mais uma vez, de
substituição de formas estabelecidas de relação social (face a face, telefone,
correio, espaço público físico), mas do surgimento de novas relações mediadas.”
“Muito se tem falado do anonimato e da ausência de
referência física como um dos fatores principais dessas novas práticas sociais.
[...] Obviamente que questões inéditas surgem comprovadas através de certo
lastro empírico, mas as diferenças devem ser matizadas já que várias práticas
guardam similitudes com as formas sociais e os papéis que desempenhamos no dia
a dia fora da rede. A relação face a face guarda similitudes com as relações online.”
“A arte na cibercultura vai abusar da
interatividade, das possibilidades hipertextuais, das colagens (sampling) de
informações (bits), dos processos fractais e complexos, da não linearidade do
discurso... A arte passa a reivindicar, mais do que antes, a idéia de rede, de
conexão, tranformando-se em uma arte da comunicação eletrônica. O objetivo é a
navegação, a interatividade e a simulação para além da mera exposição/audição.”
“Na era da cibercultura o corpo é pura informação. O
projeto Genoma Humano que parte do princípio de que nosso corpo é fruto de
diversas combinações de informação ao nível dos genes está em sintonia com a
era da informação.”
“O corpo sempre foi um constructo cultural e está
imbricado no desenvolvimento da cultura. Nesse sentido, o corpo da cibercultura
é um corpo ampliado, transformado e refuncionalizado a partir das
possibilidades técnica de introdução de micro-máquinas que podem auxiliar as
diversas funções do organismo. Assim próteses nanotecnológicas regidas pelas
tecnologias digitais podem ampliar e reformular funções ortopédicas, visuais,
cardíacas, entre outras.”
“Na cibercultura, entramos na fase de colonização
interna do corpo com próteses e nano máquinas, correlata à explosão de
transformações subjetivas através dos atuais piercings, tatoos, ou formas
extremas de androgenia.”
“As questões políticas da era da informação estão
afetando tanto incluídos como excluídos do mundo digital. Diversas formas de
controle estão hoje em voga de forma a nos vigiar de maneira quase
imperceptível, instaurando um verdadeiro panopticom eletrônico. [...] Várias
formas de ação política são atualmente praticadas tendo como objetivo alertar a
população e impedir ações que atingem a liberdade de expressão e a vida
privada.”
“A cibercultura instaura um espaço de fluxos
planetário de informações binárias que trazem à tona uma nova problematização
dos espaços de lugar nas cidades contemporâneas.”
“[...] Vivemos já na cibercidade, trazendo novas
questões na intersecção entre o lugar e o fluxo. Aqui surgem questões como a
cibercidadania, a ciberdemocracia, a exclusão e inclusão digital.”
“Assim, devemos repensar o uso das novas tecnologias
da cibercultura no espaço urbano.”
“[...] gostaríamos de chamar a atenção para o que
parece ser algumas leis da cibercultura. Essas leis podem ser úteis para as
diversas análises sob os variados aspectos da sociedade contemporânea.”
“Uma primeira lei seria a lei da Reconfiguração.
Devemos evitar a lógica da substituição ou do aniquilamento. Em várias
expressões da cibercultura trata-se de
reconfigurar
práticas, modalidades midiáticas, espaços, sem a substituição de seus
respectivos
antecedentes.”
“A segunda lei seria a Liberação do pólo da emissão.
As diversas manifestações socioculturais contemporâneas mostram que o que está
em jogo como o excesso de informação nada mais é do que a emergência de vozes e
discursos anteriormente reprimidos pela edição da informação pelos mass
media.”
“A terceira lei é a lei da Conectividade
generalizada que começa com a transformação do PC em CC, e desse em CC móvel.
As diversas redes socio-técnica contemporâneas mostram que é possível estar só
sem estar isolado. [...] Nessa era da conexão o tempo reduz-se ao tempo real e
o espaço transforma-se em não-espaço, mesmo que por isso a importância do
espaço real, como vimos, e do tempo cronológico, que passa, tenham suas
importâncias renovadas.”
“O imaginário do século XXI, construído no século
passado, colocava-nos em meio a uma certa fascinação com robôs e máquinas
voadoras em um mundo asséptico, ao mesmo tempo que nos alertava quanto os
horrores do controle maquínico da vida humana, da perda das relações sociais
autênticas e de um afastamento perigoso da natureza.”
“Devemos tentar compreender a vida como ela é e
buscar compreender e nos apoderar dos meios sócio-técnicos da cibercultura.
Isso garantirá a nossa sobrevivência cultural, estética, social e política para
além de um mero controle maquínico do mundo. Para os que sabem e querem olhar,
nas diversas manifestações socioculturais da cibercultura contemporânea podemos
constatar que ainda há vida para além da articialização total do mundo.”
Adriana Ribeiro Ferreira
Adriana Ribeiro Ferreira
Assinar:
Comentários (Atom)



